Mamãe ama meu revólver

Espaço inexistente onde o nada se transfigura em coisa nenhuma e mimetiza o vazio. minha cabeça.

Thursday, February 16, 2006

descanso meus olhos em ti
uma última vez

alguma estrada qualquer
arrombou minha porta
e roubou meu sono

eu calço os sapatos
sujos da vida
e bato a poeira
das lembranças

eu não tenho dono

eu abraço o talvez
e beijo a boca da sorte
eu não tenho medo
ou finjo, em segredo...


e cada passo me faz cócegas
o vento é seda, a noite é veludo
e o chão, um taciturno companheiro mudo

...

Se meses passam como semanas
quanto duram os anos?

Friday, February 10, 2006

Deus existe!

- Deus existe! Deus existe! – grita Leonardo, ao abrir as janelas do oitavo andar.
As pombas, cópias defeituosas do espírito santo, alçam vôo, escapando do impacto das venezianas apodrecidas. O centro da cidade descortina-se sob a luz da manhã, como um cemitério de gigantes. “Vivemos nas lápides de nosso ego orgulhoso!” Dali ele avista a cúpula da catedral, soberana, destacando-se entre os prédios desordenados. A altiva e magnífica cúpula em reforma, coberta por mundanos andaimes e um véu azulado.
- Deus existe... – ele repete num murmúrio apagado.

...

Leonardo desaba, torso nu, encolhido como um feto. O rústico crucifixo de madeira repousa confortável no carpete mofado. Ele levanta os olhos humildemente, como que perante um altar ou uma estátua de um santo acusador. Enxerga a cama. O corpo feminino languidamente adormecido, envolto pelo sudário dos lençóis puídos. Os curtos cabelos negros espalhados displicentes sobre o travesseiro.
Ele canta, aos berros, uma canção sacra. Estica o braço e encontra, com sua mão trêmula, a garrafa de uísque. “Meu sangue. Bebei.”. Jesus não conhecia os destilados.

...

Ela acorda com a dor de cabeça de rotina, mal-humorada como de rotina. Acostuma os olhos com a claridade exagerada. “filho da puta que acorda cedo”. Levanta os olhos, que se encontram com os dele. Ela o observa. O tórax nu, magro e aparentemente frágil, o pequeno crucifixo de madeira encostado na pele clara, os cabelos desgrenhados, a garrafa de uísque pendendo perigosamente nas mãos suadas, o olhar devoto, fervoroso, fixo no fundo dos seus olhos. Um esboço de sorriso delirante surge nele.
- minha Madalena... – ele subitamente começa a chorar convulsivamente, abraçado nela.
Ela sente pena. Não compaixão. Pena. “meu nome é Lúcia, caralho! Lúcia.”

Mas no final das contas,ela pensa, ele fode bem para um seminarista.

Monday, February 06, 2006

Bigodes

Ela não poderia resistir à um homem de bigodes.





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Wednesday, February 01, 2006

"Eu não sei o que o meu corpo abriga
nessas noites quentes de verão
e nem me importa que mil raios partam
qualquer sentido vago de razão

...

Outra vez vou me esquecer
porque nessas horas pega mal sofrer
da privada eu vou dar com a minha cara
de panaca pintada no espelho
e me lembrar, sorrindo, que o banheiro
é a igreja de todos os bêbados"

Cazuza.

não gosto de postar letras de música, mas é que esta parte é muito boa e explicativa... e eu não estou com o mínimo tesão pra escrever. me sinto castrado.

indo pra Floripa, vomitar em outros banheiros =P
Bonanza nunca mais!

...

engraçado. Eu sempre fico com medo de viajar. sei lá, fico pensando em acidentes ,coisa e tal.