Mamãe ama meu revólver

Espaço inexistente onde o nada se transfigura em coisa nenhuma e mimetiza o vazio. minha cabeça.

Friday, March 31, 2006

sonhos de adolescente, novinhos.

Iuri. descansando dos estudos. diz:
eu quero um suéter de vovó e uma Vespa

Iuri. descansando dos estudos. diz:
um friozinho mas um solzinho dourado

Iuri. descansando dos estudos. diz:
daí eu vou passar pelo calçadão, ver as pessoas abraçadas tomando chimarrão, dobrar na minha rua e parar na frente de casa buzinando. vão me chamar pra entrar, e vai ter um daqueles cafés da tarde que a minha mãe faz quando tá de bom humor. e minha vó vai estar lá. eu vou obrigar ela a subir na carona, e vou acelerar um pouquinho (pq eu tenho medo de velocidade) e ela vai gritar uuhuuuu.

Iuri. descansando dos estudos. diz:
tá, já to viajando...


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msn com a Débora Berengan, com quem eu não falo ao vivo desde a formatura, eu acho...

Wednesday, March 29, 2006

manias novinhas

estou começando a mergulhar nas águas desconhecidas do rock argentino e das aulas de Teoria da História.
mas continuo no rasinho. de longe ouço minha vó dizendo: "Iuuuríii, só até o umbigo!"

o Igor me perguntou esses dias: "como vai a vida? andando?"

pois bem, ela vai andando sim, humildemente. ás vezes ela dá umas tropeçadinhas; mas como disse uma vez um mendigo do Marinha: "se é pra trupicá, trupica pa frente, maninho!"; mas quase sempre ela dá pulinhos alegres.

e afinal, andando eu aprecio melhor a paisagem.

Saturday, March 18, 2006

Outono

Hoje o outono me surpreendeu na rua.

Eu caminhava de manhã ali por perto da Redenção,numa calçada contígua ao campus da ufrgs, completamente mergulhado num espírito "O velho e o mar" do Hemingway, com aquele olhar perdido num horizonte invisível, além dos prédios, carros e viadutos; além do calor tropical dessa cidade quase-fria e do canto ansioso do trânsito. Caminhava na minha ilha particular.

Daí um vento completamente inesperado e fora de lugar naquele bafo quente, soprou furtivo e cansado, balançando os plátanos da universidade, que cobrem a rua como um telhado misericordioso. O vento passou em silêncio, tímido e delicado, fazendo cair com seu toque gentil as folhas já amareladas dos plátanos e movendo os papéis do chão. Me vi num filme canadense, e tive vontade de pedir um capuccino naquele calor. Sério, nossos olhos deviam ter gravadores acoplados...

O vento passou em silêncio, mas me lembrou na hora Arcade Fire. O vento trazia uma promessa de nova estação, de trégua pra esse calor, esse ritmo que me cansa.

uma folha só não faz outono.

Tuesday, March 14, 2006

Quarta-feira de Cinzas

Quarta-feira:
restam as cinzas
do meu coração-pierrot.


* de outros carnavais.

Saturday, March 11, 2006

Cercamentos

"...onde XL pessoas viviam, agora um só homem e seu pastor ocupam tudo... Sim, as ovelhas são a causa de todos esses males, pois expulsaram a lavoura dos campos, que antes proporcionavam grande quantidade de alimentos de todo tipo, e agora só há ovelhas, ovelhas".

John Hales, 1549

e assim que eu estou sentindo minha cabeça. é isso que o vida real faz com as pessoas. Cada vez mais espaços do meu pensamento estão sendo ocupados unicamente pelas coisas que eu DEVO saber. Maldita especialização de funções do mundo contemporâneo...
mas não é só isso. Os mesmos pensamentos de lazer, os mesmos questionamentos existenciais, os mesmos planos de existência, imediatos ou hipotéticos. Essas malditas "ovelhas-pensamento" estão ocupando meus campos, pisoteando minha terra fértil, até a linha do horizonte.
pra onde vão indo os meus "delírios-lavradores"? agora vão virar mendigos e ladrões? serão encarcerados em prisões e asilos?

não, não, sempre sobrevierá um, escondido atrás de um arbusto, com o sangue quimérico dos delírios pulsando e o reluzir de uma adaga esboçando um sorriso; e com seus olhos atentos, acostumados com o escuro do exílio, avistará a pelagem branca e macia de seu usurpador; e com seus músculos débeis e sua carne seca, com sua fúria de fome e vingança, saltará sobre a presa, abrindo um sorriso vermelho na pelagem branca, com sua gargalhada fria de aço.

ovelhas, malditas ovelhas.



*qualquer relação com o "guardador de rebanhos" não é mera coincidência.

Sunday, March 05, 2006

Noturno ou Canção de Ninar

Esperarei contigo,
Até calar-se a canção da lua
E fecharem os olhos, as estrelas.
Então reclinarei sobre tua cama
Meu sereno olhar
E recitarei nos teus lábios
Poemas silenciosos,
Até sorver a ultima gota do dia
Sussurrando com meu corpo
Uma canção de ninar
Aos teus cabelos...

Respirarei contigo
Quando teu corpo convulso
Repousar no meu;
Te aquecerei com meu sangue
E como um único ser
...existir...
...respirar...

e quando tuas pálpebras
deitarem as cortinas de veludo
sobre teus olhos confusos
assistirei ,soluçante,
teu noturno sonhar...